Cruzat - Buenos Aires
Enviado em 10 de Setembro de 2008
Publicado por Botto | Enviar por e-mail
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Estou já há algum tempinho pra escrever sobre minhas impressões dos bares que fui em Buenos Aires, mas ia sempre adiando em face da falta de tempo.
Mas, como dizem, antes tarde do que nunca, e começarei falando do Cruzat (www.cruzatbeer.com), um barzinho super bacana, especializado em cervejas artesanais, contando com mais de 100 variedades, aproximadamente, que fica na Av. Corrientes 1660, próximo do Congresso.
Muito bem recomendado por amigos, e diante da decoração atrativa, cerveja por todos os lados, a primeira coisa que pensei, ao chegar, foi: caramba, que barzinho mais legal. Vou me fartar de degustar boas cervejas.
Me senti num parque de diversões.
Doce ilusão. Comecei pedindo o Sampler (24 pesos), que vem numa espécie de árvore com 10 amostras de estilos e micros variadas. Muito bonitinho, mas ordinário. Abaixo, o que escrevi das cervejas:
1- Lager Ale da cervejaria Cardos - lager ou ale, afinal? Já começou criando um nó na minha cuca. Perguntei à garçonete, que não soube, todavia, me dizer se era uma ale ou lager. Estava horrível, difícil de beber mesmo um copinho de degustação, ainda que dividindo com minha mulher. Acética toda vida.
2 - Kölsch da cervejaria Koala - Ruim também. Leve frutado e acetaldeído bem forte.
3 - Cream Ale da micro Gülmen - Boa cerveja, malte no aroma e sabor, caramelo, com baixo amargor.
4 - IPA da Murray’s - A melhor do Sampler. Muito boa cerveja, amargor médio-alto, aroma de lúpulo bacana, embora na minha opinião pudesse ser um pouco mais elevado, bem equilibrada. Foi a única que me deu vontade de pedir uma pinta depois.
5 - Golden da Murray’s - Acética também, difícil de beber demais.
6 - Scotish da Koala - Malte, leve frutado, amargor médio e adstringente.
7 - Dry Stout da Murray’s - Leve acidez, sem aroma e sabor marcantes de café ou chocolate.
8 - Honey da Antares - Diacetil elevado demais, mas boa no geral.
9 - Strong da Koala - Sim, simplesmente strong, sem nada mais dizer sobre o estilo. Aroma metálico, leve acidez e álcool (strong) presente no aroma e na boca.
10 - Stout da Koala - A 2ª melhor do Sampler, o que não é grande coisa, diante da maioria estar chumbada, ou melhor, acética. Café marcante no aroma e sabor, amargor médio e bom corpo. Boa cerveja.
Uma surpresa boa foi a Gülmen, micro da Patagônia. Terminando o Sampler, pedi uma cerveja deles muitíssimo boa, a pale ale, mas que não anotei as impressões. A IPA da Murray’s também valeu o repeteco. Pra finalizar, fui seduzido por um rótulo bem bacana, de uma cerveja chamada Ilegales. Ilegal deveria ser vender tal cerveja. Intragável, diacetil e DMS puros. Do jeito que veio ficou na mesa.
No fim, tenho que agradecer a Tati, minha esposa, que, por estar tomando antibiótico, me conteve e impediu de pedir afoitamente dois samplers, assim que chegamos ao Cruzat. Um já foi mais que suficiente pra nós dois, e, da forma que estavam, daria ainda pra outros tantos beberem.
O bar é muito legal, bem montado, mas acredito que não tenha tanta rotatividade, o que pode ter gerado os vários chopps acéticos. Posso ter dado azar e pego uma fase ruim, também, visto comentários que já ouvi de alguns amigos sobre a casa.
Vale a visita.
Um brinde,
Botto

Estimado:
.
Soy Uruguayo y estuve en Cruzat.
La verdad que de las cervezas del sampler se sacan 2 o 3 rescatables.
Te recomiendo que la próxima vez visites el Buller, tienen todos los equipos a la vista..y muy buenos! (si no lo conoces ya).
El Cossab tambien es un bar con muchas artesanales y fabrican su propia cerveza (es bastante mas barato que el buller).
Un abrazo desde Uruguay y espero algún dia poder enviarte alguna Davok
Saludos!
Alejandro
Olá, Alejandro. Estive na Buller da Recoleta, que tem, sem dúvida, as melhores cervejas da Argentina.
Escreverei sobre ela em seguida.
El Cossab não conheço.
Será um prazer degustar a Davok,e também espero poder enviar uma Botto Bier.
Grande abraço,
Botto
Será un gusto probar esa Botto Bier!.
Un abrazo desde uruguay!
Alejandro
Olá Botto,
Vi em seus comentários várias vezes a citação de diacetil. Estive agora na Oktoberfest e uma das cervejas que provei estava com um sabor forte de manteiga. Pelo que sei é o tal do diacetil. sta cerveja era uma lager não filtrada. Entretanto, em minhas persquisas cervejeiras, já vi comentários que o diacetil é desejável em alguns estilos de cerveja. O que você poderia comentar sobre isso aproveitando o conhecimento adquirido na sua prática de homebrewing.
Abraço.
Rodrigo Campos
Fortaleza - CE
Mais um detalhe Botto,
Nesta viagem ao vale do Itajaí pude também provar em várias cervejarias artesanais as cervejas Pilsen em versões filtrada e não filtrada (natural). Basicamente pude verificar a diferença no corpo, sendo a não filtrada levemente mais encorpada na consistência, no aroma, sendo a não filtrada com a presença mais fraca de lúpulo e um leve fermento, e no sabor, sendo a não filtrada com leve acidez presente.
Meu raciocínio é de que são características bem comuns nas hefe-weizens alemãs, e que o fermento é o responsável por elas.
Será que este raciocínio está certo? Caso contrário pode corrigir!
Gostaria de aprender mais!
Rodrigo Campos
Fortaleza - CE
Rodrigo, o diacetil lembra manteiga, sim, em alguns casos mel tb, e é aceitável em alguns estilos (oatmeal stout, irish red ale, por exemplo), mas não querido, propriamente.
Querido mesmo, só pra culturas orientais, como certa vez me falou a Cilene.
Na maioria dos estilos é não desejável.
Ele é formado por todas leveduras, que também são responsáveis pela reabsorção do diacetil.
Quanto a sua análise comparativa entre as cervas filtradas e não, de fato a não filtrada costuma se apresentar com mais corpo e maior presença do fermento. A sensação de menos lúpulo pode ser devida a maior presença do fermento, que pode mascarar o aroma do lúpulo.
Quanto a acidez não vejo interferência do ser ou não filtrada. A acidez das weizens vem muito de sua carbonatação maior.
Gosto muito de cervejas não filtradas, e tenho feito algumas experiências ultimamente, mas as variações mais significativas pra mim são com relação ao corpo e presença do fermento.
Abração,
Botto
Olá Botto,
Muito obrigado pela sua resposta. Deu vontade de procurar por mais informação ainda. Ao ler o guia de estilos do BJCP de 2008, no tópico 15 A Weizen/ Weisbier, há um comentário de que uma característica cítrica é frequentemente presente devido ao fermento e à alta carbonatação.
A alta carbonatação foi o motivo apresentado por você pela acidez nas cervejas de trigo alemãs. Talvez a presença do fermeto também possa ter esse efeito em cervejas não filtradas, como as pilsens que provei.
Abraço.
Rodrigo Campos
Fortaleza - Ce