Thrúd - Dubbel
Enviado em 3 de Setembro de 2008
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A Thrúd é uma cerveja que mesmo jovem, muito jovem, já me deu bastante alegria. Ficou ela em terceiro lugar no III Concurso Nacional das ACervAs, na categoria Belgian Strong Ale. Trata-se de uma dubbel com 7% abv.
Thrúd é filha de Thor na mitologia nórdica, e com ela quis homenagear a minha filha, Anna Clara, que muito me ajuda e inspirou nesta produção.
Pois bem, vamos ao que interessa: queria produzir uma belga pro concurso, mas tinha dúvida sobre qual estilo. De belgas por mim já feitas, duas mais se destacaram pela qualidade, a Fluminense (Belgian Strong Golden Ale) e a Dama do Lago (Belgian Dark Strong Ale). Não queria, porém, repetir receitas. Queria inventar uma, mas qual?
Se fizesse uma Belgian Dark Strong Ale seria meio plágio da Dama; se uma Strong Golden, da Fluminense. Pensava também que, para um concurso, melhor seria competir com uma menos alcoólica, mais fácil de se beber. Decidi-me, pois, por uma dubbel, estilo até então nunca tentado.
O estilo dubbel é talvez o que mais goste dentre os belgas, talvez por ser menos frutado e mais maltado. É um estilo que se caracteriza pela complexidade dos maltes, caramelo, chocolate, biscoito, tanto no aroma quanto no sabor, moderadamente frutado, frutas secas, passas, ameixa, na Thrúd um pouco de banana e cravo também, encorpada, com médio a pequeno amargor, com média-alta carbonatação, normalmente ficando entre 6,5% e 7,0% abv.
Estudando sobre o estilo dubbel, que sucintamente procurei resumir acima, percebi o mesmo conter características bem marcantes de duas outras cervejas minhas, a Thor, uma lager doppelbock, extremamente maltada, encorpada, riquíssima em aromas de maltes e algumas frutas, passas e ameixas também presentes, e a Dama do Lago, uma Belgian Dark Strong Ale, também encorpada, maltada, um pouco de cravo, mas mais esterificada que a Thor, obviamente, graças ao fermento trapista usado. Então que surgiu a grande idéia: juntar as características da Thor, minha melhor cerveja, com as características da Dama do Lago, criando uma dubbel com pedigree, hehehe, a Thrúd. E assim fiz, e abaixo publico a receita para a leva de 46 litros:
Maltes:
Pílsen (Agromalte) - 4 kg
Munich II (Weyermann) - 3 kg
Viena (Weyermann) - 5 kg
Melanoidina (Weyermann) - 1,55 kg
Caraaroma (Weyermann) - 0,8 kg
Trigo malteado escuro (Weyermann) - 0,7 kg
Carared (Weyermann) - 0,35 kg
Aveia em flocos (Quaker) - 0,25 kg
Lúpulos:
Hallertau Tradition - 60g a 60 minutos do final da fervura
Hallertau Tradition - 20g a 30 minutos do final da fervura
Fuggle - 30g a 5 minutos do final da fervura
Água:
73 litros (40 primária e 33 secundária)
Levedura:
White Labs 500, trapista.
Aqueci a água primária até 40º, acresci a ela os maltes e aveia e elevei a temperatura até 53º, onde estacionei (parada protéica por causa da aveia) por 15 minutos. De 53º subi até 64º e mantive nesta temperatura por 30 minutos. De 64º elevei até 67º, mantendo nesta por mais 30 minutos. Em seguida elevei até 70º e fiz a última parada, desta vez por 50 minutos. Elevei a temperatura até 78ºC e desliguei o fogo, em seguida iniciando a filtragem do mosto. Para fervura, que durou 90 minutos, levei 58 litros de mosto com 1061 de densidade. Faltando 15 minutinhos pro final da fervura coloquei duas pastilhas de whirfloc. Resfriei o mosto até 21º e o trasfeguei pros baldes fermentadores, inoculando o fermento ao final, antes de levá-los pra minha geladeira.
A OG ficou 1070 e a FG 1018, o que me deu 6,8% de álcool por volume.
A fermentação transcorreu por 10 dias a 20ºC, e a maturação por 30 dias a 0ºC. Feito o primming, 7,5 g de açúcar por litro de cerveja, engarrafei a Thrúd e aguardei mais duas semanas até experimentar a primeira garrafa, que, mesmo muito jovem ainda, já estava sensacional. Em breve engarrafarei o segundo balde da leva, e certamente estará bem melhor que a primeira.
Só falta agora mandar fazer o rótulo, com a caricatura minha e da minha filha, a homenageada.
Saúde,
Botto

Botto, meu caro:
Será que seria possível vc mandar junto com a Tcheca uma amostra da Thrúd, pois só de ler o poste me deu água na boca e gostaria muito de esperimentar essa também.
Abraços
Rubinho, esta vou ficar te devendo. Vou engarrafar apenas algumas Thrúds por ora, ficando o restante pro próximo curso.
abraço,
Botto
[…] Resfriei o mosto até 21º e o trasfeguei pros baldes fermentadores, inoculando o fermento ao final, antes de levá-los pra minha geladeira. A OG ficou 1070 e a FG 1018, o que me deu 6,8% de álcool por volume. A fermentação transcorreu por … fique por dentro clique aqui. Fonte: http://blog.bottobier.com.br/ […]
[…] resfriei o mosto até 21º eo trasfeguei pros baldes fermentadores, inoculando o fermento ao final, antes de levá-los pra minha geladeira. a og ficou 1070 ea fg 1018, o que me deu 6,8% de álcool por volume. … fique por dentro clique aqui. Fonte: http://blog.bottobier.com.br/ […]