Botto Bier German Pílsen e Kölsch
Enviado em 21 de Junho de 2008
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Antes de qualquer outra coisa, ou que me chamem de maluco, explico o porquê das fotos acima. Trata-se da Pílsen, a inteligente e com bom gosto cachorra da minha mãe, hehehehe (olhem o respeito!!!). Sim, a cadela se chama Pílsen, embora seja escura e estivesse mais pra dunkel, mas o nome foi escolha da minha mãe, que quis chamá-la pelo mesmo nome da sua primeira cachorra, quando ainda criança. O nome pílsen fora dado pela minha avó, que por sua vez quis brindar à sua mãe, minha bisavó, que era cervejeira. Em homenagem ao mais novo membro da família Botto, então, não resisti e resolvi fazer uma German Pílsen.
A idéia original era fazer uma pílsen estilo tcheca, que em breve sairá do papel (o fermento já está comprado e tudo), mas como queria aproveitar um espaço ocioso no meu freezer de ales, e um fermento Kölsch da White Labs, a mim presenteado pelo Maurinho, optei por reduzir um pouco a lupulagem da leva, já que uma Kölsch pede menor amargor e aroma de lúpulo que uma Bohemian Pilsener, e dessa forma possibilitando que a mesma pudesse ser dividida em duas partes, uma de acordo com o estilo German Pilsener e outra no estilo Kölsch.
Para os que não sabem, o estilo Kölsch é originário da cidade de Colônia (Koln), na Alemanha, e se caracteriza por ser uma ale suave, levemente frutada, de cor dourada, e, assim como a pílsen, com bastante “drinkability”. Fermenta a temperaturas de ales e matura em temperaturas de lagers.
Outra coisa legal de ter dividido a leva, aproveitando as características comuns entre os estilos, conforme se observa pela análise do quadro abaixo, é que teremos maior diversidade de estilos de cervejas no próximo curso, já que ambas são destinadas à degustação do dia 19 de julho.
Pelo BJCP, os estilos German Pílsen e kölsch se definem assim:

Inspirado no maravilhoso vídeo do amigo da ACervA Paulista - valeu, Phillip - e pondo em prática uma antiga idéia que já nutria há tempos, durante a produção desta cerveja filmei pequenos trechos das suas etapas, a fim de fazer um vídeo, quem sabe assim mostrando não ser o processo nenhum bicho de sete cabeças, estimulando futuros apaixonados como eu. Ao final constatei que fazer cerveja é muito mais fácil que fazer um vídeo, e que o processo de fabricação é tão prazeroso, ou mais, quanto a própria degustação, rs.
Eis o link para o vídeo desta produção.
A receita para 43 litros e os dados da cerveja ficaram da seguinte forma:
Maltes:
9,6 kg de Pílsen (Agromalte)
1 kg de Munich II (Weyermann)
0,5 kg de Vienna (Weyermann)
Lúpulos:
51 g de Hallertau Tradition a 60′ do final da fervura
46 g de Saaz a 0′ do fim
Água:
33 litros para mostura
32 litros para lavagem
Levedura:
WL Kölsch
S-23 Lager
Processo:
1) Aqueci a água da mostura até 70ºC, quando adicionei a ela os maltes, o que fez cair a temperatura para 65ºC;
2) Elevei de 65ºC para 66ºC, e deixei nesta temperatura por 110 minutos, elevando, então, pra 78ºC, para inativação das enzimas; enquanto repousava a mistura em 66ºC, aqueci a água para lavagem até 79ºC;
3) Terminada a mostura, iniciei a filtragem do mosto, passando-o da panela de mostura para o caldeirão contendo o fundo falso. Após breve recirculação, e à medida que filtrava o mosto, comecei a lavar o bagaço da mistura, a fim de subtrair o quanto mais de açúcares dele;
4) Mosto filtrado, coloquei-o a ferver por 75 minutos, lupulando-o nos tempos acima. Enquanto ocorria a fervura, hidratei o S-23;
5) Prosseguindo ao término da fervura, iniciei o resfiamento do mosto com os chillers, baixando a temperatura de 100ºC, aproximadamente, para 22ºC, em 40 minutos;
6) Procedi em seguida à trasfega do mosto para os galões de fermentação, antes, porém, retirando cerca de 1,5 litros de trub, conforme fotos dos copos no final do vídeo. Obs.: sempre antes das trasfegas, descarto um pouco do mosto, uma vez que trazem muito trub;
7) Entre o enchimento do primeiro e segundo galões, separei uma pequena parte do mosto para medição da Densidade Original (OG);
8) À medida que caía da panela aos galões, iniciava a aeração do mosto. Complementarmente, após cheios, agitei-os mais;
9) Resfriados e aerados, adicionei os fermentos aos galões, levando-os aos freezers para inicio da fermentação, ambos com temperatura controlada por meio de termostatos, o balde com o fermento Kölsch a 20ºC e os com o S-23 a 10ºC.
Pelos cálculos do BeerSmith, a leva ficou com 25 IBUS e cor de 4,5 SRM, ambos de acordo com os estilos German Pils e Kölsch. Entretanto a OG por mim medida ficou em 1.051, um ponto acima do limite proposto pelo BJCP para ambos os estilos.
O volume final da leva ficou em 43 litros, 18 L com fermento Kölsch, 18 L com o S-23 hidratado, lager, e 7 litros com também o S-23, mas inoculado seco ao mosto. Infelizmente, de trub perdi cerca de 4 litros.
Passados dois dias da brassagem, a fermentação transcorre às mil maravilhas, restando-nos aguardar para ver o resultado.
Saúde,
Botto
Olá Leonardo, gostei de ver o vídeo da produção. Reparei no Grain Bag, ele faz muita diferença? Ainda não faço essa quantidade, tenho feito levas de 10 litros, ainda como testes, fiz 5 levas somente, mas está dando certo, variando estilos. Agora, ví que aí toca de tudo o que eu toco quando faço cerveja, só faltou um Beatles hehe. Aqui em casa, em Volta Redonda, também é sempre uma brassagem ao som de rock and roll.
Oi Botto, adorei a cachorrinha, eheh… é uma “linguiça”, certo? Nós, na minha família, sempre tivemos esta raça e tenho paixão por eles, imagina com um nome destes, muito legal! Bom, mas sobre a cerveja, estava mesmo procurando uma receita de German Pilsner para fazer e fiquei muito feliz em encontrar a sua. Devo preparar a minha leva no próximo domingo, seguindo suas orientações, no enatanto, tenho alguma dúvidas como: a) quanto tempo você presume levar o processo de fermentação completo? b) após o término da fermentação, você pretende manter algum tempo de maturação no galão ainda?
Olá, Renato. Nesta leva o grain bag não fez muita diferença, não, pois a filtração foi bastante boa. Mas prefiro pecar pelo excesso do que pela falta, hehehe. A eficiência dele creio que depende da qualidade da moagem (uma muito fina tende a levar mais sólidos pra fervura), bem como da filtração. Noto muita diferença quando não uso o fundo falso, mas apenas a bazooca. Nesta leva do vídeo acabei usando o fundo falso, com a bazooca abaixo, finalizando com o grain bag, mas nem precisava. Uma filtração bem feita é muito importante, acho, e prefiro perder mais tempo nela, mas clarificando o quanto mais o mosto, o que me gera menos trub, condições pra uma melhor fermentação e uma cerveja teoricamente melhor, mesmo levando em conta os perigos da oxidação, que, sinceramente, nunca percebi nas minhas levas.
Quanto ao som, foi exigência dos fermentos. Disseram-me eles que só trabalhariam sobre um mosto energizado com rock n’ roll, hehehe. E quem sou eu pra discordar.
Abração
Olá, Rubens. Nunca engarrafo as levas logo após a fermentação. Terminada esta, trasfego pra outro galão, onde deixo por no mínimo mais duas semanas, antes de envasar. O tempo de fermentação varia muito, e é difícil dizer, pois depende da viabilidade e quantidade do fermento, densidade inicial do mosto e temperatura de trabalho. Quanto menor a densidade, maior a temperatura, viabilidade e quantidade de fermento, mais rapidamente ocorrera a fermentação. Em média deixo uns 8 dias fermentando, tempo que espero deixar nesta leva. Ela está fermentando a 10ºC, digo, fermentou a 10º nos 4 primeiros dias, uma temperatura mais baixa visando reduzir a produção de diacetil, e desde segunda está a 12º. Amanhã, quando completará o 8º dia aumentarei pra 14º, deixando nesta temperatura por dois dias, antes de baixar a temperatura pra purgar o fermento e levá-la à maturação, isso pra estinular as leveduras a reabsorverem o diacetil formado. terminada a fermentação pretendo deixar cerca de 20 dias maturando, até às vésperas do próximo curso, dia 19, quando, enfim, veremos o resultado. Espero que fique legal.
Abraço,
Botto
Oi Botto! Ontem fizemos a nossa German Pilsner, como disse, baseada na sua receita e aparentemente, promete!
Desde já, devo lhe agradecer! Deixamos ela fermentando em temperatura controlada, entre 10 e 12ºC. Pensava em deixá-la assim por 6 dias (ou até a fermentação completa) e em seguida, maturar por mais 6 dias entre 6 e 8ºC, para então resfriar a 0 e 2ºC por mais 2 dias e finalizar o processo. Feito isso, pretendo envasar em post mix e carbonatá-la com CO2. O que você acha? Alguma consideração especial, ou estamos no caminho?