Vidua Nigra
Enviado em 16 de Março de 2008
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De cor negra, encorpada, com aroma e sabor levemente frutados, tostado, café e chocolate, 6,4% abv, e média carbonatação, esta foi minha primeira cerveja fermentada a temperatura ambiente, isso em novembro de 2006, quando a temperatura média era de 25/26º aqui dentro de casa. Como fazia calor e minha geladeira pra cerveja estava comprometida com a Maligna, Cheirosa e com a Feiticeira, cuja receita coloquei abaixo, procurei no apartamento o cômodo mais fresco, e não se espantem os puristas, sendo o encontrado o banheiro de empregada, onde a Vidua fermentou por 6 dias, sobre o trono, hehehe. A fermentação desta cerveja causou rebuliços por aqui, explico: primeiramente porque deu um baita trabalho ficar trocando, nos dois primeiros dias, as garrafas pets congeladas que colocava ao redor do galão de água usado de fermentador, isso para tentar manter a temperatura menor que a ambiente, buscando uns 22, 23º. Como se não bastasse a dificuldade na manutenção da temperatura de fermentação, no terceiro dia de fermentação pela manhã, quando acordei, tomei um susto quando vi o airlock jogado longe do gargalo do galão, estando o mesmo aberto, com cerveja espirrada pra várias direções, e isto no banheiro, o que mais me assustou e que no momento baqueou o estímulo com a cerveja. Não sabendo o que fazer, o melhor a fazer melhor dizendo, sendo até então purista ao extremo, liguei pra todos os amigos cervejeiros que tinha, Maurinho, Reynaldo, Ricardo, entre outros, pra buscar aconselhamentos e tirar um ponto médio de como proceder com o restante do processo. Assim feito, num ato de misericórdia coloquei o fermentador ao lado do meu micro, no escritório, com o gargalo tampado com um saco de lixo preto (lembro-me como ontem) preso com um elástico, que quando cheio, com medo de sair voando, hehehe, resolvi dar uns furinhos nele com uma agulha, e assim, sem querer, aromatizei o escritório com um cheirinho maravilhoso de fermento, lindo. Desta forma ficou por mais quatro dias, até completar o sexto de fermentação, quando então purguei o fermento passando a cerveja pro maturador, o balde. Como não tinha lugar em casa pra maturar, pedi ao Paulete, vulgarmente conhecido por Paulo, namorado da Rosa, dona Aconchego, pra que usasse a geladeira do seu bar, o Petit Paulete, que estava em obra (o mesmo que inaugurou no final de 2007, onde a ACervA fez sua ceia de final de ano, mas que na época estava repleto de poeira, cimento e tudo mais de pior), e, tendo ele consentido, pra lá levei o galão maturador, já sem fermento, onde maturou por duas semanas antes de ser engarrafado, apenas algumas garrafas com as quais concorreria no concurso da ACervA, e o restante embarrilhei num cornelius, a fim de servir pros convidados no retrocitado evento. Ressalte-se que havia deixado o carro no sol, e que a temperatura interna dele era absurda, o que dirá da mala, onde coloquei o galão com destino ao Bar do Paulete. No bar chegando o encontrei fechado, e, tendo o Paulete ido à feira, deixei o galão de cerveja no Aconchego, aos cuidados da Kátia, irmã dele, instruída a entregar-lhe assim que o mesmo chegasse, para que colocasse na geladeira, pois não podia esperar.
Embora toda a dificuldade narrada, muita dela amenizada com o tempo, que muito me fez esquecer, a Vidua Nigra, viúva negra em latim, ficou excelente, dando-me muito prazer por tê-la feito. No I Concurso da ACervA Carioca ela ficou com o segundo lugar na categoria Estilo Livre, ficando atrás da Feiticeira, mas fez o maior sucesso com os convidados, para quem foi servida na chopeira.
Sucesso feito, resolvi repetir a receita para a Brasil Brau, pra onde levei 40 litros dela também, e o que sobrou ( é verdade, sobraram 5 litros sobressalentes que havia levado pra São Paulo num galãozinho pet de água mineral ) engarrafei e mandei pro concurso de Minas (o BH Home Bier) e o Concurso de Campinas, organizado pela Turma da Cerveja, e pra minha grata surpresa foi a Vidua ganhadora do II BH HB, isso em 15/08/07, pouco menos de dois meses após a Brasil Brau.
Narrei este episódio todo especialmente pra mostrar que as cervejas tendem muito mais pra dar certo do que pra dar errado, e que, embora necessário todo e qualquer cuidado com sanitização e preparo, fazer cerveja não é tão delicado quanto muitos propagam. Não quero dizer outrossim que cuidados não devem ser tomados, mas posso dizer, tranquilamente, com a minha experiência que nunca usei luvas ou aqueles panos na boca (tipo de médicos fazendo cirurgia), ou algo parecido, tendo sido meu único cuidado no início o de não falar quando deixava cair da panela pro fermentador a cerveja, no momento da aeração. Aqui vale uma passagem engraçada: já tarde da noite, enquanto passava a cerveja pro fermentador, meu irmão chegou na casa da minha mãe, onde então fazia a cerveja, e vendo-me lá perguntou se podia entrar na cozinha pra ver o que comer. Disse-lhe que não, pois aquele momento seria crítico, e pedi que ele nem falasse perto da panela/balde, pra não correr o risco de germinar minha leva com o bafo de skol que ele trazia, hehehe, quando ele brilhantemente me questionou se não podia ali falar pra cerveja não ouvir, ou não acorda-la, já que era tarde pampas, com deboche típico de ébrio.
Fotos das produções dela não tenho, mas segue abaixo a receita original pra uma leva de 22 litros, com a qual ganhei o 2º lugar do primeiro concurso da ACervA. Nas levas subsequentes da Vidua fiz já algumas alterações, experimentando fermentos diferentes, Irish e English, ambos da White Labs, mas isso fica pra uma próxima postagem. Pra mim o melhor resultado continua sendo o obtido com o antigo US-56, agora chamado de US-05.
Malte
0,45 Malte pílsen torrado por 40’ a 205º ( Agromalte);
0,05 Caramunich (Weyermann);
0,3 Carahell (Weyermann);
0,565 Vienna (Weyermann);
1,435 Munich (Weyermann);
2,5 pílsen (Sgromalte);
0,4 Carafa III (Weyermann); e
0,4 aveia Quaker em flocos.
Lúpulos
Galena, 15 g a 40’;
Hallertau Tradition, 10 g a 20’;
Saaz , 6 g a 20’; e
Saaz, 7 g a 2’ pro término da fervura.
Água
18 litros primária
15 litros secundária
Fermento
US – 05 (ex US-56)
OG – 1064
FG – 1015
6,4% abv sem primming
Elaborada em 13/11/06, um mês e quatro dias antes do I Concurso da ACervA.
Fermentada por 6 dias em temperatura ambiente.
Maturada por 14 dias na geladeira, sem controle de temperatura.
Engarrafada com primming de 7g de açúcar pro litro, em 03/12/06.
Curva de Temperatura da brassagem: Malte acrescido na água quando esta estava em 40º. De 40º a 46º em 6 minutos, estacionando em 46º por 20 minutos. De 46º até 55º em 8 minutos, permanecendo nesta por mais 20 minutos. De 55º até 64º em 7 minutos, mantendo em 64º por 60 minutos. De 64º pra 71º em 9 minutos, sendo mantida esta temperatura por 30 minutos mais, e após novamente elevada a temperatura até 78º, pra inativação das enzimas.
Após a filtragem foram levados 29 litros pra fervura, com 1050 de densidade do mosto, pra uma leva final de 22 litros.
Ah, não comentei antes uma coisa que é bem comum de acontecer: como fazemos pouca cerveja, insuficiente pros amigos e família, sempre evitamos todo e qualquer desperdício, e às vezes a ganância nos faz colocar mais mosto no fermentador do que devíamos (recomendo deixar uns 25%, ou no mínimo 20% de espaço livre no fermentador), o que faz com que o airlock ou a tampa do balde saiam do lugar, ou a tampa do galão voe. Cuidado!!!

Olá Botto
Sou carioca, trabalhando em Campinas, onde me dedico a fabricação artesanal de cerveja. No momento estou com uma enorme dificuldade para conseguir fermento líquido de alta fermentação SACCHAROMYCES CEREVISIAE. Você teria uma dose para me vender ? serve também o CALIFORNIA ALE.
Se positivo, tenho familiares em Niterói e poderiam pegar pessoalmente com você !
Um grande abraço
Acilio Braga abraga@mpcnet.com.br
Ah…legal seu comentário acima !
Olá, Acílio. Não tenho fermento, não. Quero em breve estar fazendo nova compra. Só serve líquido? O california ale é muito semelhante ao US-05, que você encontra seco com facilidade. Aí mesmo em Campinas, com o Afonso da Turma da Cerveja, www.cervejaartesanal.com.br.
Abração,
Botto
ola amigo estou tentando começar a fazer cerveja e peço-te ajuda se possivel toda e qualquer ajuda sera bem vinda.
bjs no coraçao
botto
tenho uma pergunta. voce nao usou nenhum tipo de tratamento na agua da sua vidua pra controlar a acidez? um confrade aqui esta tendo muito problema com exesso de acidez nas stouts… e eu vou fazer a sua receita no proximo final de semana. estava pensando em usar calcio (vendido nas farmacias) so falta definir o quanto. da uma luz. hehehe
um grande abraço!