THOR e 3ª colocação na Bockfest Competition - Ohio, USA
Enviado em 10 de Março de 2008
Publicado por Botto | Enviar por e-mail
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Minha predileção pelas lagers a cada dia mais se consolida, e esta, sem dúvida alguma, foi a cerveja mais difícil e gratificante que fiz, após muito ter estudado sobre o estilo doppelbock, de origem germânica.
Trata-se de uma cerveja de cor rubi, bastante encorpada, alcoólica com seus 9% abv, onde o aspecto maltado se sobressai tanto no aroma quanto no sabor ( melanoidina, tostado, munich e chocolate), levemente frutada ao fundo e com amargor bastante para equilibrar a cerveja, sem no entanto competir com o maltado.
Seu nome foi escolhido a dedo também. Thor é personagem clássico da mitologia nórdica-germânica, e, filho de Odin, representa força, com seu martelo mágico. Curiosamente há um conto que diz que Thor certa vez subiu até o Castelo do Gigante Hymir para dele roubar um enorme caldeirão, com o qual se fez cerveja e hidromel para presentear os Deuses e o povo. Thor tinha ainda uma carruagem puxada por dois bodes, Tanngnost e Tanngrisni. Nome melhor não poderia haver, logo, pra designar um estilo de cerveja tipicamente germânico, forte no malte e no álcool, chamado de doppelbock, ou em bom português dois bodes, ou duas vezes bode, tal como os dois bodes da carruagem do Thor mitológico.
Segue abaixo a receita desta cerveja, que fiz no dia 15/07/07, obtendo ao final uma leva de 42 litros:
Maltes
11,0 kg de pílsen;
5,0 kg de munich;
2,2 kg de melanoidina;
3,0 kg de Vienna; e
2,0 kg de Caraaroma.
Lúpulos
40 g de Hallertau Perle a 60 min. do final da fervura;
51 g de Hallertau Tradition a 60 min. do final da fervura; e
35 g de Saaz a 30 min. do final.
Água (da Montanha, ph 6,43)
47 litros de água primária + 32 litros de secundária
Fermento
Lager S-23 ( 2 pcts por balde contendo 21 litros de mosto, previamente hidratados)
Coloquei os maltes quando a água já estava a 50ºC, e elevei em seguida a temperatura até 55º, temp. em que permaneci por 25 minutos. De 55º subi até 65º, permanecendo nesta por 1 hora. De 65º subi para 69º, mantendo esta temperatura por outros 60 minutos, após então elevei até 78º para inativação das enzimas.
Da filtragem levei 59 litros de mosto para fervura, com densidade de 1076, e após 2 horas de fervura e o resfriamento obtive 42 litros de mosto com 1093 de OG, descartado o trub.
Nos doze primeiros dias de fermentação mantive a temperatura próxima dos 11/12º, a partir de quando a cada dia subia um grau, até chegar aos 15º. Daí purguei o fermento passando em seguida a bebida pro tanque de maturação, onde ainda permaneceu por mais uma semana a 15º, quando então medi a FG, 1026, e comecei a baixar a temperatura, 1º por dia, até atingir -1º, temperatura em que permaneceu por mais 3 semanas. O perído de lagering foi tão extenso que a cerveja ficou límpida, quase como se tivesse sido filtrada, o que acarretou menos fermento indo para a garrafa e um maior período de tempo para carbonatação, 1 mês. Pra concluir o processo, na hora de engarrafar fiz o primming com 6g de açucar de cana por litro.
Em breve estarei repetindo a odisséia, e quem quiser se aventurar fique a vontade, mas depois me conte como ficou, ok?

BOCKFEST COMPETITION
Pra finalizar e aumentar mais a minha satisfação e alegria com esta cerveja, no último dia 9, em Cincinnati, Ohio, Estados Unidos, a THOR conquistou a 3ª colocação na Bockfest Competition, um concurso tradicional norte americano voltado apenas para as cervejas do estilo Bock, que reúne cervejeiros apaixonados pelo estilo bock de todo país, e que por ser específico para este estilo carrega ainda maior grau de dificuldade. De 50 pontos possíveis pela avaliação preconizada pelo BJCP, a THOR obteve 39,5 pontos, sendo classificada como excelente exemplar de cerveja para o estilo.
Saúde,
Botto










Botto,
vou ter que trabalhar muito e estudar muito para chegar perto do seu nível de mestre e “expertisse”.
Mas somente aproveitando seus conselhos eu já me sinto quase um aprendiz ou um “Abade trappista” qualificado.
Valeu, meu amigo. Terça estaremos lá. Abração.
Grande Botto!
Parabéns pelo blog e, mais uma vez, pela Thor!
Com o seu conhecimento e engajamento, tenho certeza que essa blog será um sucesso e uma grande contribuição para esse movimento de cervejeiros caseiros!
Grande abraço,
Ricardo
Valeu, Ricardo. Abração
Parabéns, Botto!
Não sobrou nenhum exemplar para a Word Beer Cup? Com certeza faria (ou melhor, fará) bonito por lá
Abraço
Fala Paulo, blz? Ia sim mandar pra World Cup of Beer da Califórnia, apenas para cervejeiros caseiros, mas o amigho que levaria teve sua viagem adiada, uma pena, e acabei perdendo o prazo pra inscrição. A Thor está cada dia que passa mais fenomenal, acho, e uma pena não tê-la mandado. Vc vai ser jurado lá, da World Beer Cup da BA?
abração,
Botto
Olá!
Parabéns, antes de mais nada, pela iniciativa e pelas premiações. Tá bem legal o blog!!
Mas uma foto me chamou a atenção: teu filtro!. De que material é feito? posso copiar? (risos).
Grande abraço!
Paula Mühlbach
Olá, Paula.
Aquele filtro é na verdade uma grain bag, que adaptei para uma segunda e mais fina filtragem. Sem ele percebi que muita coisa ainda passava pra fervura, apenas com a filtragem do fundo falso, e com o uso do mesmo diminuiu significamente o meu trub quente. Comprei esta grain bag na Northern Brewer, http://www.northernbrewer.com/stir-strain.html . Claro que pode copiar, e na verdade esta já é uma cópia dos amigos da Glück, de Belo Horizonte, que usavam meia calça pro mesmo fim. Ao término lavo bem o saco para guardá-lo, e antes de usá-lo novamente o coloco numa leitera com água fervendo.
Abração,
Botto
Grande Botto! Parabéns pelo blog. Realmente você tem muito o que dizer a respeito da fabricação artesanal de cervejas e a criação desse “diario cervejeiro” já tinha passado da hora!
Ah, eu ainda tenho, fechada, aquela garrafa da Thor que você me deu no II Concurso de Cervejas Artesanais. E já que você mesmo disse que “a Thor está cada dia que passa mais fenomenal”, será que vale a pena esperar um pouco mais ou já estou “liberado” para bebê-la?
Abração!
Alo Gente Boa !!
Muito interessante esse nascimento da “nossa cerveja”! So que pra nos , os leigos, os termos sao muito tecnicos e muito na linguagem alema-belga sei la ! Nao da pra “ser mais brasileiro na noss linguagem” nao ?! Nossa “Cerveja nossa Linguagem”! Ou nao ?!
Mais uma vez parabens !
Cesar