O final de semana passado foi super intenso, cervejeiro e gratificante.
Se em Ribeirão Preto, terra de muitos e grandes amigos, acontecia o fantástico Brew Day da Cervejaria Colorado, evento em que infelizmente não pude comparecer, pra compensar, aqui tive renovada satisfação em realizar mais um curso de produção caseira de cerveja, no sábado, e, no dia seguinte, poder brindar ao 4º aniversário da rádio Rock Flu com a degustação da Botto Bier Rock Flu IPA, uma American IPA que fiz especialmente pra esta comemoração.
Curso de produção de 27 de março de 2010
Pela ordem cronológica das alegrias, o curso transcorreu às mil maravilhas, e espero que os alunos tenham gostado também, e em breve estejam já produzindo suas cervejinhas. No que precisarem, estou às ordens!!!
O curso é extenso, é verdade, mas com raras exceções o pessoal se manteve atento até o final, o que me faz crer que em breve tenhamos novos
cervejeiros por aí. Que alegria!


Durante o dia foram servidas algumas cervejinhas minhas, dentre as quais a produzida no curso anterior, uma oatmeal stout, a Sabá Negro, uma belgian dubbel, uma golden ale com mel e aveia, duas americans pale ale diferentes, e minha munich helles. Além destas, como sempre, tivemos o apoio da On Trade, que além das maravilhosas Weihenstephaners Vitus ainda enviou algumas Eikbiers pra degustação do pessoal.
E como saco vazio não pára de pé, o Sr. Fritz caprichou nos quitutes. Obrigado, Sr. Fritz.
No curso fizemos 45 litrinhos de uma Belgian Pale Ale, que daqui a um mês, aproximadamente, será degustada pela turma, motivo de nova reunião cervejeira e mais uma etapa do curso. É muito bom degustar as cervejas dos cursos com os alunos, e assim poder ver suas caras de surpresos com a cerveja produzida.
O curso terminou por volta das 21 horas, ufa, 12 horas de curso, mas ainda ficamos mais um tempo lá no Joá 3000, trabalhando arduamente para diminuir o peso dos barris a serem transportados de volta. Sobrou muita cerveja. Das três uma, to ficando exagerado demais, a galera bebeu pouco ou as cervas não estavam boas, hehehe. Na próxima reunião da ACervA levarei a xepa pra gente finalizar adequadamente. Cheguei em casa já por volta de meia noite, coloquei os baldes na geladeira pra fermentarem, tomei um banho e fui pro berço, pois na manhã seguinte teria ainda muito a fazer pra degustação da Rock Flu IPA, que aconteceria a partir das 13 horas no Bar da Frente.
Mais fotos do curso podem ser vistas através do link http://picasaweb.google.com/aimbere/CursoBotto27032010#.
Botto Bier Rock Flu IPA
Como primeiro vem o prazer, não me deixei descansar muito e logo cedo comecei a montar o Randall. Pros que não sabem, o Randall é um sistema desenvolvido pelo cervejeiro americano da Dog Fish Head, Sam Calagione, no qual é feito um dry hopping com lúpulos em flor entre o barril e a chopeira. Com este processo se consegue solubilizar parte dos óleos essenciais dos lúpulos, responsáveis pelos aromas, passando-os à cerveja com um frescor ímpar. É muito bom!!!



A Rock Flu IPA ficou com 7,5% abv (recomenda-se fazer o dry hopping com o randall com cervejas mais alcoolicas, a fim de facilitar a solubilização dos óleos essencias dos lúpulos, extraindo-se assim maior intensidade de aromas), e por ser bem lupulada, amarga e alcoólica, num primeiro momento pensei ter escolhido um estilo errado pra festa da Rock Flu, onde os neófitos cervejeiros seriam maioria.
A escolha do estilo não foi por acaso. Queria que a cerveja fosse alaranjada na cor em homenagem ao bairro que abriga o Clube do Fluminense. E da idéia da laranja queria uma cerveja com toques de aromas cítricos, daí ter preferido variedades americanas, Cascade e Willamete, este pro dry-hopping, uma vez que ambos confeririam os aromas desejados à cerveja, que deveria ainda ser forte e encorpada como o Fluminense, e bonita como sua torcida. Diante do briefing mental que tinha, então, resolvi montar o randall pela segunda vez, e foi um sucesso, todos adoraram a Rock Flu IPA.

Por vezes, e erradamente, nutrimos a idéia de que pra ser apreciada por não tão conhecedores, ou amantes, a cerveja deva ter a célebre drinkability, ser leve, fraca, sem alma, porém, depois desta experiência, mais reforçada tenho a idéia de que tendo qualidade, sendo boa a cerveja, ela será apreciada por todos. Com a Tcheca, bohemian pilsener da Biertruppe, já havia constatado situação semelhante, e com esta tive a confirmação que carecemos por demais de cervejas de qualidade, tradicionais, feitas sem medo de agradar aos consumidores. Espero e torço pra que as cervejarias descubram isso, libertando-se da idéia equivocada que o gosto do brasileiro não está preparado pra boas cervejas, quando na verdade não está preparado pro preço cobrado por elas, na maioria das vezes impeditivo.

A insônia é grande e hoje é dia de fazer uma cerveja santa, então é hora de tirar um cochilo, mas antes quis compartilhar com vocês o maravilhoso final de semana passado, repleto de boas cervejas, novas e velhas amizades.
Um brinde,
Botto